quarta-feira, 7 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

TPA – Troca Parcial de Água


A troca parcial de água, vulgarmente conhecida como TPA, é uma forma simples e prática de eliminarmos, ou baixarmos a concentração, das substâncias tóxicas que estão presentes no nosso aquário, nomeadamente a Amónia, os Nitratos, entre outras.

Este processo, como descrito no artigo anterior, consiste na troca de uma percentagem da água do aquário por água nova.

Salvo casos excepcionais, as TPAs não devem ser maiores que 30%. A sua frequência varia de aquário para aquário, consoante alguns factores: volume total do aquário (aquários mais pequenos precisam de TPAs mais frequentes, uma vez que as concentrações prejudiciais são facilmente atingidas); mortes (neste caso, sempre que existam, é aconselhável uma TPA); tratamentos (após tratamentos, deve fazer-se uma ou várias TPAs); níveis de Nitratos (assim que os nitratos atingem os valores de 50 mg/l, deve fazer-se uma TPA).

A primeira TPA deve ser feita somente quando o ciclo do Azoto estiver completo (pico de Nitratos).

Existem várias técnicas para se fazer a TPA, desde sistemas elaborados de gota a gota, até aos sistemas normais com mangueira e garrafão (o que eu utilizo). De seguida serão descritos alguns aspectos a ter em conta para se fazer uma TPA da forma mais simples.


Figura 1 – Material utilizado na TPA

1: Preparar a água nova: Geralmente, utiliza-se a água da torneira para colocar no aquário. Esta água é tratada com Cloro, uma substância tóxica para a fauna. Assim, deve deixar-se a água repousar cerca de 24 horas num recipiente aberto para que o Cloro evapore. Os recipientes utilizados devem ser exclusivos para este processo. Não devem ser utilizados baldes ou similares que sejam utilizados nas limpezas pois contém substâncias muito tóxicas.


Figura 2 – Colocação da mangueira para retirar água do aquário

2: Retirar água do aquário: Este processo pode ser feito de várias formas. A mais simples é utilizando uma mangueira de nível e um garrafão. Como, normalmente, os aquários estão colocados a alguma altura do solo, podemos aproveitar a força da gravidade para nos ajudar a retirar a água. Para isso basta mergulhar uma ponta da mangueira dentro de água e na outra ponta provocar um efeito de sucção (cuidado para não engolir água do aquário). Deve ter-se muito cuidado para não se sugar nenhum peixe!

3: Introdução da água nova: Embora não seja um processo complicado, devem ser tidos em conta alguns aspectos. A água nova deverá ter os parâmetros similares aos da água que está no aquário, tendo em atenção o pH (existem espécies muitos sensíveis às variações de pH que podem ser fatais) e à temperatura (os choques térmicos, principalmente no Inverno, também podem ser fatais). Para evitar stress nos habitantes do aquário, o processo de introdução da água nova deve ser lento e sem criar turbulência na água.

E pronto, o processo de TPA está concluído!

Por: Hugo Saldanha




O Ciclo do Azoto


No início da nossa aventura na aquariofilia, todos nós já sentimos várias dificuldades. Um dos casos que podem ser salientados é a morte da fauna introduzida num aquário recém-montado. Eis que começam a surgir as dúvidas, as complicações e até a falta de vontade para continuar.
Contudo, existe um factor que deve ser tido em conta, no início de qualquer montagem: o ciclo do Azoto. Neste artigo serão descritas as várias etapas do ciclo do Azoto, de uma forma sucinta e alguns aspectos aos quais deveremos ter muita atenção para que evitemos as mortes indesejadas da nossa fauna.
A matéria orgânica presente num aquário, proveniente dos excrementos da fauna, de folhas mortas e até dos restos de comida (todos compostos à base de Azoto), é decomposta numa molécula altamente tóxica para a maioria da fauna: a Amónia (NH3). Basicamente, pode definir-se o ciclo do Azoto como o processo biológico que converte a Amónia noutros, relativamente inofensivos, compostos de azoto. Esta conversão é feita através da acção de bactérias (que estão presentes tanto no substrato, como nas matérias filtrantes existentes nos filtros dos nossos aquários). Existem, fundamentalmente, dois grupos de bactérias. As que transformam a Amónia em Nitritos (NO2) e as que transformam os Nitritos em Nitratos (NO3).



Num aquário novo, com filtro novo onde não existe qualquer colónia destas bactérias, podem ser introduzidos 1 ou 2 peixes resistentes (não sensíveis à Amónia) para que se dê inicio ao processo do ciclo do Azoto. Nesta fase é bastante importante não dar excesso de comida aos peixes, uma vez que, mais comida significa mais Amónia!
Durante o processo do ciclo do Azoto, os níveis de Amónia vão subir e, à medida que as colónias de bactérias que formam os Nitritos se desenvolvam, estes valores tendem a descer. As bactérias que formam os Nitratos só começam a aparecer quando houver Nitritos presentes em quantidade suficiente, logo, os níveis de Nitritos vão aumentar à medida que a Amónia acumulada for convertida. Quando as bactérias que formam os nitratos tiverem as suas colónias estabelecidas, os níveis de Nitratos vão começar a subir. Eis em funcionamento o ciclo do Azoto!




Para serem monitorizados os valores descritos no gráfico, existem vários testes, especializados para aquariofilia, que podem e devem ser utilizados.

O ciclo do Azoto demora normalmente entre 2 a 6 semanas. A temperaturas mais baixas, abaixo de 21°C, este processo pode ser mais lento, uma vez que a temperatura é um dos factores essenciais para o desenvolvimento das bactérias.

Considerando que os níveis de Nitratos continuam a aumentar gradualmente e que esta substância pode ser prejudicial para os peixes em grandes concentrações, existem formas de a eliminarmos do nosso aquário.

Uma das formas de eliminarmos os Nitratos é através da adição de plantas. O metabolismo das plantas necessita de grandes quantidades de Azoto. As plantas conseguem sintetizar o Azoto presente nos Nitratos em açucares, o seu alimento. Assim, num aquário com plantas de crescimento rápido (maiores consumidoras) os níveis de Nitratos podem ser mantidos constantes, pois à medida que são produzidos pelas bactérias, são consumidos de seguida pelas plantas.

Outra forma de baixar os níveis de Nitratos (e de todos as outras substâncias tóxicas para a fauna, como é exemplo a Amónia) é através das trocas de água. Uma troca de água parcial, de cerca de 20-30% do volume de água do aquário, é uma ajuda preciosa para normalizar os valores destas substâncias. Caso seja difícil estabilizar as concentrações, o volume da troca de água poderá aumentar, ou então poderá aumentar-se regularidade com que esta é feita. Normalmente, é suficiente uma troca parcial de água por semana. Mas isto não é uma regra fixa, dependerá, obviamente, das características do aquário (volume, existência de plantas) e da fauna que lá colocamos.

Deixo apenas uma nota muito importante para quem se está a iniciar neste maravilhoso mundo: evitem comprar mais peixes antes que o ciclo do Azoto esteja completo. Mais peixes significa uma maior produção de Amónia e provavelmente causará mortes indesejadas.


Por: Hugo Saldanha